“Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: famisgerado...faz-me-gerado...falmisgeraldo...famílias-gerado?” Guimarães Rosa
Você vai à cozinha pegar uma bolsa de gelo no freezer, porque precisa fazer gelo no seu pé torcido, mas chegando lá você fica com vontade de comer chocolate. Então, você pega um chocolate e pensa que vai ficar com sede porque o chocolate é muito doce, decidindo pegar água. Não tem água na cozinha, só na dispensa, assim, você vai até a dispensa, pega uma garrafa de água, pega um copo e volta para o quarto com o chocolate e a água.
Enfim, cadê a bolsa térmica? No freezer, lógico.
Les Chansons D'Amour (2007) fala de amor em três atos: Le Départ, L'absense e Le Retour.
O filme começa mostrando o cotidiano de jovens que vivem um romande à três, com ciúmes ocasionais, mas que parece funcionar. O clima alegre inicial se transforma quando uma morte inesperada de uma pessoa amada quebra a rotina dos três. O segundo ato mostra como as pessoas lidam com a perda, o apoio familiar, os sentimentos de raiva e angústia, e como elas se ajudam e sentem a necessidade de estarem por perto, minimizando o sofrimento. Já o último ato é quando os personagens começam a se envolver em novos relacionamentos e se sentem prontos para amar de novo, qualquer que seja a forma, ainda mantendo viva a memória da pessoa que se foi.
Apesar de conter temas como relacionamento à três e bissexualidade, ou homossexualidade, o filme não trata de polêmica. Pelo contrário, tudo é colocado de forma natural, contando até com sinceras dúvidas daqueles que não estão diretamente envolvidos. A história, é, na verdade, leve, pode-se dizer até bobinha. Paris aparece pouco em lugares turísticos e mais na cidade dos moradores, capturada de maneira belíssima. A relação entre os locais e as personagens são destaque na composição do filme.
É um filme que vale a pena ver, mesmo que sua motivação inicial seja pelas canções bonitas, ou porque o Louis Garrel é lindo, ou porque a Ludivine Sagnier é linda, ou porque você quer treinar o seu francês. Você pode se surpreender com pequenas cenas tocantes, como a da Chiara Mastroniani arrazando em atuação e canto numa passagem simples com uma das músicas mais bonitas - e que não se passa em Paris.
Apenas veja de mente aberta, não deixe seus preconceitos te impressionarem e atrapalharem sua experiência com o filme. Digo isso porque algumas pessoas se atém a detalhes que apenas são a forma que foi escolhida para contar o principal que o filme se propoe a ser: um filme sobre amor. Claro que esses detalhes são o que fazem o filme diferente e mais interessante do que outros filmes que tratam do mesmo assunto. É tocante sem ser exagerado e romântico sem ser brega.
acho que o trailer está um pouco equivocado, não é o "new player" quem quebra a rotina do casal e sim uma morte... mas assistam!
Hoje, enquanto aguardava o ônibus que costuma passar de 15 em 15 minutos, ouvi um senhor revoltado com a espera de mais de meia hora pelo veículo dizendo: "Porque em Londres e Paris isso não acontece! Sabe por quê? [ninguém presta atençao no senhor] porque lá, o povo bota fogo nos onibus se isso acontece!"
Não, não coloca, que eu saiba. Acho que seria motivo de manchete internacional se algum parisiense resolvesse botar fogo no ônibus enquanto segura uma baguete. Sem piadinhas, eu realmente vi um francês segurando uma baguete, com apenas um guardanapo em volta, em pleno metrô, e digamos que o metrô de Paris não é lá a coisa mais limpa do mundo.
Mas voltando ao episódio da espera pelo ônibus... Depois de uma hora, oito ônibus indo pra Jd. Cohab Antartica, cinco Pinheiros (detalhe, é a mesma linha, ida e volta, e sim, para no mesmo ponto), e uns quatro Jd. Peri Alto surge o famigerado Vila Madalena, em dobro.
É claro que as pessoas se frustram com um atraso desse, perdem compromissos e uma hora das suas vidas esperando um ônibus e pagando 3,00 por ele. É o que leva a pensar... Será que o aumento de 11% que sofreu a passagem será convertido em melhoria no transporte público? No Brasil, o pensamento mais comum é que esse a mais do aumento que não corresponde a inflação de 6% do ano vai direto para o bolso de políticos.
Em Londres, a passagem de ônibus não é nada barata. Mas o sistema funciona muito bem, obrigada, mesmo tendo uma maldita parada a cada 10 metros... Mas dane-se, porque os ônibus têm dois andares! Tá nem todos, mas a grande maioria... Otimizando espaço dentro do bus e nas ruas, pois eles sao menores que nossos monstros sanfonados. O que espanta é que, mesmo com toda a eficiência do metrô londrino, o trânsito lá é terrível.
A minha rotina diária era ônibus, trem e metrô. A passagem de ônibus era 2 libras (na época a cotação da libra era por volta de 3,30). Mas eles têm o bilhete único mais eficiente do mundo. Você pode abestecê-lo por um valor equivalente a ônibus, trem, metrô da semana/mês/ano para as zonas da cidade escolhidas (Londres é dividida em zonas, do centro para a periferia). Sai muito mais barato, você pode usar quantas vezes você quiser dentro da semana/mês/ano pelo mesmo valor. E também tem cartão de estudante. Ou você pode optar por um cartão de validade de um dia que serve para todos os tipos de transporte e pode ser usado quantas vezes você quiser ao longo desse dia. Que eu me lembre, esse cartão era por volta de 5 libras.
Convertendo em reais, não parece tão barato assim, mas pense que Londres é umas das cidades mais caras do mundo e você vai poder ficar perambulando pra cima e pra baixo o dia inteiro usando todos os meios de transporte público possíveis...
Ok, chega de dicas de Londres... Voltando a falar sobre a situação de ônibus na cidade de São Paulo... Enquanto a maioria das pessoas se expressava em conformismo com a situaçao fazendo "tsc" toda vez que aparecia um ônibus que não era o esperado, o senhor se revoltava perguntando por que ninguém fazia nada. Ninguém faz nada. Eu não faço nada, você não faz nada. Nós só esperaramos que esse aumento de 0,30 centavos na passagem expanda o número de linhas, coloque mais ônibus nas ruas...
Na real, eu só espero que coloquem mais ônibus Vila Madalena e Rio Pequeno, que são os principais ônibus que eu pego, e também os mais imprevisíveis. Mas é muito mais realista esperar até ter um carro, que sofrerá o trânsito de São Paulo e será mais um causador dele. Já que eu não vou ouvir nenhuma voz gravada me dizendo o destino do ônibus e indicando a próxima parada, pelo menos eu posso escutar música sem fones de ouvido dentro de um carro com ar condicionado. Já quando eu tiver um helicóptero, poderei dizer
"Se fode ae... SÔ RYCAAHHH"
obviamente que não... esperança pelo transporte público de qualidade.
Se From Dusk Till Dawn (1996) e Once Upon a Time in Mexico (2003) parecem tentativas muito exageradas de Robert Rodriguez em fazer um filme trash bom (não há contradiçao nisso), com Machete (2010) o diretor conseguiu consolidar a proposta.
O filme Machete aparece pela primeira vez em forma de trailer dentro do filme Planet Terror (2007), que foi exibido junto com Death Proof (2007) do Tarantino no Grindhouse. Apesar do roteiro de Machete ter sido escrito em 1993, foi a popularidade do trailer falso que inspirou Rodriguez a gravar o longa, além da encheçao de saco do Danny Trejo (O Machete):
"As Robert Rodriguez tells it, after conceiving of the character of Machete and telling Danny Trejo about it, Rodriquez started receiving phone calls at random hours of the day from Danny, trying to convince him to make the film. One day, Robert said to Danny that he was busy and asked why Danny can't just send a text message instead of constantly calling, to which Danny Trejo replied: "Machete don't text." Machete says this exact phrase in the film. " (The Internt Movie Database)
Não parece que o mesmo diretor que grava filmes como, além dos já citados, Sin City (2005) e Desperado (1995) também dirigiu, produziu e escreveu a série Spy Kids e outros filmes infantis. O curioso é que o personagem Machete aparece em todos os filmes da série Spy Kids (Pequenos Espiões, no Brasil), interpretado pelo Danny Trejo.
Curiosidades à parte, Machete é mais um spaghetti western de Rodriguez. O filme conta a história de um ex-Federale (FBI do Mexico?) que, por ser muito íntegro não cedeu à corrupção dentro da sua organização e acaba tendo a família inteira morta pelo seu chefe (ninguém menos que Steven Seagal). Depois desse trauma, Machete resolve ficar na dele, trabalhando como empreiteiro até que um homem, Michel Booth (Jeff Fahey) o oferece ñ-lembro-quantos-mil dólares pra ele matar o senador xenofóbico que persegue mexicanos que tentam cruzar a fronteira e usa isso em sua campanha eleitoral (Robert de Niro). Machete aceita a proposta, mas não pelo dinheiro, que acaba dando para Luz (Michelle Rodriguez), dona de um trailer que vende Tacos. A intenção de Booth era que Machete fosse um bode-espiatório, que deveria ser morto após a tentativa falha de matar o senador. Mas o que o Booth não sabia era que ele era Machete. E Machete, meu amigo... é treta. Ele não vai descansar até obter sua vingança. No meio do caminho aparecem Michele Rodriguez, Jessica Alba e Lindsay Lohan, que sentem muita atração pelo feioso, mas gentil, íntegro e fodão, Machete. Daí pra frente é perseguição, matança e guerra no bom estilo slasher, além das atrizes trajando pouca ou nenhuma roupa.
Rodriguez é BFF do Tarantino: eles fazem filmes juntos, um participa no filme do outro, têm uma pegada humor negro parecida... mas a violência nos filmes do Rodriguez é mil vezes mais escrachada do que nos do Tarantino, a matança sozinha é fator de comédia. Isso é, depende de qual violência estamos falando. Rodriguez brinca muito com blood and gore, mas, e isso vai soar como alguém querendo parecer cult, a primeira cena que o De Niro aparece, junto com um bando que executa imigrantes ilegais, dá um negócio. Essa cena trata de algo muito próximo da realidade, com certeza o Rodriguez fez isso pra impressionar, pra cutucar a ferida.
Mas o resto é palhaçada. O filme é cheio de piadinhas e o estilo wanna-be-trash é o maior motivo de risada. A trilha sonora é feita pela banda do Rodriguez, a Chingon. Adoro esse estilo mexicano de música, então nem preciso falar que achei a trilha muito boa.
Enfim, Machete é um dos filmes que você TEM que ver. Por mais que você não goste porque achou horrível e tosco. Foi essa a intenção.
Acabo de reparar que no trailer, na cena da Jéssica Alba no chuveiro, ela aparece usando um top e uma calcinha, já no filme, ela aparece sem nada. Quer dizer, parece que ela está nua, mas ela foi desnuda pelo computador! Ela não pode gravar cenas sem roupa porque é de família muito religiosa ou algo assim (isso foi um amigo meu que disse).